Manifesto pela deserção dos Jardins Murados e o retorno à Web soberana

I. A ilusão da conveniência e a erosão da propriedade

Iniciamos nossa jornada digital sob a promessa de uma biblioteca universal, um espaço onde o hipertexto — herdeiro direto da visão libertadora do HyperCard — nos permitiria conectar ideias de forma livre e descentralizada. Contudo, ao longo das últimas décadas, fomos seduzidos pela conveniência das plataformas. Aceitamos, de forma tácita, o papel de inquilinos em jardins murados pertencentes a tecnocracias globais. Nestes espaços, a beleza é padronizada, a descoberta é mediada por algoritmos de extração de atenção e, fundamentalmente, o conteúdo não nos pertence; ele é apenas um ativo volátil no balanço patrimonial de terceiros.

II. A tecnocracia dos algoritmos e o silenciamento da individualidade

O jardim murado opera sob a lógica da uniformização. Seja no Substack, no Instagram ou no finado Blogspot, a interface que envolve o pensamento é ditada por metas de engajamento, e não pela necessidade de expressão. Quando o código que apresenta nossas ideias é fechado e proprietário, tornamo-nos reféns das decisões de conselhos de administração que podem, ao sabor de novos modelos de negócio, apagar décadas de produção intelectual ou alterar as regras de acesso à nossa própria audiência. A deserção, portanto, não é um ato de isolamento, mas um imperativo de autonomia.

III. A tríade aberta como linguagem de lLiberdade

Reivindicamos a soberania através do domínio da tríade fundamental: HTML, CSS e JavaScript. Estas não são apenas ferramentas técnicas; são os tijolos de um padrão aberto que nenhum império corporativo pode extinguir. Ao retornarmos à construção direta de nossas interfaces, resgatamos a essência do usuário engajado, aquele que não apenas consome a rede, mas a tece. A web soberana é aquela que preza pela portabilidade, onde o conteúdo reside em arquivos de texto simples, legíveis por humanos e máquinas, imunes à obsolescência programada das plataformas.

IV. A fundição do novo hub soberano

Nossa decisão estratégica de consolidar este pensamento no GitHub Pages (steevenavila.github.io) marca o fim da era da dispersão. Escolhemos esta infraestrutura não por conveniência passiva, mas por sua natureza de “cofre técnico”. Ao utilizarmos o versionamento via Git e a entrega de arquivos estáticos, garantimos que nossa identidade digital não seja um subdiretório alugado, mas um território conquistado. O GitHub Pages serve, neste contexto, como a fundição onde transformamos o código bruto em uma presença pública resiliente, garantindo que a conexão entre o autor e o leitor seja direta, transparente e, acima de tudo, livre das cercas invisíveis das tecnocracias modernas.